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Duas páscoas em um dia: judeus e cristãos celebram a festa na mesma data este ano

March 30, 2018

 

Conhecer tradições religiosas e festivas é uma forma de aprender um pouco mais sobre as diferentes culturas do mundo, o que é muito importante quando lidamos com as relações internacionais.

 

Normalmente as celebrações judaicas e cristãs não ocorrem no mesmo dia, porém as festas coincidiram-se no calendário de 2018, e serão comemoradas no dia 1º de abril.

 

Enquanto os judeus comemoram a passagem da escravidão para a liberdade, os cristãos celebram a passagem da morte para a vida. E é isso o que a palavra Páscoa significa: deriva do hebreu “Pessach”, que significa passagem.

 

De acordo com a Confederação Israelita do Brasil, Pessach é a festa que comemora a passagem do povo israelita da escravidão do Egito para a libertação da Terra Prometida, através da travessia do Mar Vermelho.

 

No caso da religião cristã, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo. O teólogo Isidoro Mazzarolo reitera que “a vitória de Jesus sobre a morte é o que confere sentido ao cristianismo”.

 

Diferenças entre as visões judaica e cristã

 

Já sabemos que no cristianismo, a figura de Jesus é o motivo da celebração da Páscoa. Já no judaísmo, é evocada a memória de Moisés que, segundo o Livro do Êxodo, foi guiado por Deus para libertar os hebreus da escravidão no Egito, rumo a Terra de Israel.

 

Sobre essa questão, esclarece o rabino Michel Schlesinger: "Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias. Ele já veio e, um dia, voltará. Nós, judeus, reconhecemos que Jesus foi um rabino que disseminou uma mensagem muito positiva de amor e respeito ao próximo, mas não o consideramos o Messias. Para nós, o Messias ainda não chegou".

 

Costumes das duas religiões

 

Durante a Semana Santa, os cristãos evitam consumir carne em respeito à morte de Jesus. No domingo, é comum presentear os familiares e amigos com ovos de chocolate.

 

O que poucos sabem é que a associação dos coelhos à Páscoa e o costume de decorar ovos é uma alusão a antigos rituais pagãos. Na mitologia anglo-saxã, nórdica e germânica, lebres e ovos pintados eram os símbolos da fertilidade e renovação. As comemorações cristãs absorveram esses elementos em seus costumes.

 

No período da Pessach, os judeus não podem comer nenhum alimento fermentado. Faz parte da tradição judaica levar à mesa o pão ázimo (ou matzá, em hebreu), feito só de farinha branca e água, sem fermento. Esse pão simboliza a pressa dos hebreus ao fugir do Egito, pois eles não tiveram tempo de esperar o pão fermentar.

 

O rabino Michel Schlesinger afirma: "durante a Pessach, comemos ervas amargas para lembrar a amargura da escravidão, mas também bebemos vinho para recordar a doçura da liberdade. Não somos nem escravos nem livres. Ainda estamos no caminho".

 

Feliz Páscoa e Feliz Pessach!

 

 

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